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GOVERNO

Até serventes têm cartão corporativo

Na Universidade Federal de Uberlândia, motoboys, motoristas e auxiliares de limpeza fazem saques em dinheiro com meio de pagamento do governo

A análise da movimentação financeira com os cartões de créditos corporativos do governo federal, de acordo com o Sistema de Administração Financeira da Secretaria do Tesouro Nacional (Consiafi), mostra que serventes de limpeza, motoristas e sindicalistas estão autorizados a fazer saques na rede bancária e faturar compras, que somente em 2007, totalizaram mais de R$ 175 mil. Os gastos foram feitos por 10 servidores da Universidade Federal de Uberlândia, a maioria deles sem função de gestor. O maior sacador foi o motoboy da reitoria, Paulo Sérgio Duarte de Freitas, que movimentou R$ 46,7 mil, em um ano, além de fazer compras diversas em papelarias, cinefotos e lojas especializadas em produtos para animais.
O levantamento do Consiafi constata ainda a existência de pelo menos 8,3 mil cartões corporativos que gastaram R$ 75,3 milhões, no ano passado, sendo que R$ 57, 3 milhões, ou seja, mais de 76% dos gastos, foram com saques em dinheiro. O Estado de Minas tem a movimentação completa com os valores discriminados dos saques e das faturas de cada um deles. Ao contrário das compras faturadas, rastrear os valores em espécie é praticamente impossível. Ontem, a Controladoria-Geral da União (CGU) informou que 7.145 pessoas têm porte do cartão. A diferença dos números do Consiafi pode ser explicada, porque unidades gestoras da Presidência da República e 30 órgãos do Executivo e Judiciário podem ter mais de um servidor para a movimentação financeira, sendo que alguns cartões estão registrados em nome do órgão ou setor.
Um exemplo é a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que não registra o nome do servidor responsável pelos saques, que chegaram a R$ 29,1 mil, em 2007. Na Universidade Federal de Uberlândia, o Fundo de Suprimentos foi movimentado por 10 servidores. Além de Paulo Sérgio, as serventes de limpeza Terezinha Maria dos Santos e Marlene Graça Silva receberam um cartão e sacaram R$ 15,5 mil e R$ 2,7 mil, respectivamente. Marlene, que hoje está aposentada e, assim como a colega, confirma que usou o cartão do governo. Segundo elas, as retiradas e os valores sacados eram determinadas por seus superiores e seriam destinados ao pagamento de diárias dos motoristas.
CAMPEÃO Considerando as movimentações financeiras, o campeão é o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão que gastou R$ 34,5 milhões com o cartão, sendo que mais de 92% ou R$ 31,8 milhões foram sacados em espécie. Na estrutura do ministério, a maior gastança foi promovida pelo IBGE, com saques que superaram R$ 100 mil, como o servidor Valter Nichio Bertoni, da unidade de Rondônia, que gastou, em espécie, R$ 121,2 mil. Para a fatura, as compras foram modestos R$ 986,99, durante todo o ano. No entanto, Valter não está sozinho. Seu colega José Vitor Neves Guimar, coordenador da agência do instituto em Barra do Piraí (RJ), uma cidade com pouco mais de 93 mil habitantes, sacou R$115,3 mil e faturou R$ 296,60, em compras. O dinheiro movimentado por José Vitor é mais do que suficiente para distribuir R$ 1 a cada morador do município.
Os altos custos do IBGE pelo país se revelam ainda pela movimentação do cartão corporativo da técnica judiciária Noeme de Castro Chaves, da subseção de Santarém (PA), com retirada de R$ 89 mil, em espécie, sem qualquer compra faturada, sendo superada por sua colega Miriam Motta Correa Pinto, que também evitou as compras faturadas e deu preferência aos saques, de R$ 94,2 mil. A matemática desses gastos é um desafio à logica, porque alguns dos 22 ministérios, considerando toda a sua estrutura, consumiram valores muito inferiores. O Ministério do Turismo, por exemplo, em todo o ano passado, fez saques de apenas R$ 2,1 mil e compras faturadas no valor total de R$ 1,7 mil. Também o Ministério das Relações Exteriores se mostrou econômico. Fez retiradas no cartão de R$ 1 mil e compras no total de R$ 3,2 mil.

Fonte: Estado de Minas
(Incluída em 01/02/2008 às 09:35)

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